Uma árvore para Fiama
Todas as árvores apaziguam
o espírito. Debaixo do pinheiro bravo
a sombra torna metafísica
a silhueta de tronco e copa.
Em volta da ameixoeira temporã
vespas ensinam aos meus ouvidos
louvores. As oliveiras não se movem
mas as formas da essência desenham-se
cada dia com o vento.
Na sombra os frémitos
acalentam o pensamento
até ao não pensar. Depois
até sentir a vacuidade
no halo de flores que o envolve.
Sob as oliveiras, por fim,
que não se movem contorcendo-se,
concebe o não conceber.
Fiama Hasse Pais Brandão
Ontem de manhã estive a plantar árvores. Das cinco, adquiridas na sexta-feira, duas eram ameixoeiras temporãs, outra uma rainha cláudia, que ficou no centro de um triângulo entre duas oliveiras e um pinheiro bravo.
Só à noite soube que tinha ficado outra vez um pouco mais órfão.
Se os seus frutos forem tão límpidos como o rosto de Fiama, serão deliciosos poemas.

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